O hábito saudável que pode ser abandonado sem perceber, segundo o doutor Yuri Silva Portela

Armand Delvier
Por Armand Delvier 5 Min de leitura
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Yuri Silva Portela

Conforme expõe o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, alguns hábitos fazem parte da rotina por tantos anos que sua importância só fica evidente quando deixam de ser praticados. Caminhar, preparar as próprias refeições, manter contato com outras pessoas ou simplesmente sair de casa são atividades que podem diminuir gradualmente após uma doença, uma queda ou uma mudança na disposição.

Leia a seguir e descubra como um hábito cotidiano pode ser deixado de lado gradualmente sem que a perda seja percebida. 

Por que um hábito pode desaparecer aos poucos?

Mudanças na rotina raramente acontecem de uma hora para outra. Uma pessoa pode começar a caminhar menos porque está cansada, deixar de ir ao mercado porque passou a sentir insegurança ou reduzir atividades domésticas depois de apresentar alguma dificuldade física. Como a mudança ocorre de maneira gradual, ela pode parecer apenas uma adaptação temporária. Com o passar do tempo, porém, essa alteração pode se tornar parte da rotina e fazer com que a pessoa deixe de perceber o quanto sua participação nas atividades diminuiu.

O problema é que uma atividade abandonada pode provocar outras mudanças. Quanto menos uma pessoa se movimenta, por exemplo, menor pode se tornar sua disposição para realizar determinadas tarefas. A redução das atividades também pode diminuir as oportunidades de exercitar capacidades que continuam preservadas. Esse processo pode criar um ciclo de menor participação, no qual a pessoa passa a realizar cada vez menos atividades por considerar que não consegue mais desempenhá-las como antes.

Por isso, como esclarece o doutor Yuri Silva Portela, observar a frequência com que os hábitos são realizados pode revelar alterações importantes. Comparar a rotina atual com aquela mantida anteriormente ajuda a identificar perdas que não aparecem necessariamente como uma queixa direta. Essa comparação permite perceber mudanças funcionais ainda discretas e avaliar se existe alguma dificuldade por trás do abandono de determinados hábitos.

Por que caminhar menos pode fazer diferença?

A caminhada é uma atividade presente em diversas situações do cotidiano. Ela pode estar relacionada a deslocamentos, compras, encontros sociais ou simplesmente ao hábito de sair de casa. Quando esses percursos diminuem, a pessoa pode passar a permanecer mais tempo sentada ou dentro de casa. Essa mudança pode reduzir não apenas a movimentação, mas também as oportunidades de manter contato com diferentes ambientes e participar de atividades fora do lar.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Em alguns casos, a redução acontece por receio de cair, dor, cansaço ou dificuldade para caminhar. A pessoa pode deixar de realizar determinada atividade para evitar desconforto e, inicialmente, sentir que está apenas se protegendo. Com o tempo, porém, essa restrição pode limitar ainda mais sua participação na rotina. Por isso, como frisa o doutor Yuri Silva Portela, é importante compreender o motivo que levou à redução das caminhadas e verificar se existe alguma dificuldade que possa ser avaliada ou acompanhada.

O que acontece quando as atividades diárias diminuem? Saiba agora com o doutor Yuri Silva Portela

As tarefas do cotidiano também funcionam como oportunidades de movimentação e participação. Preparar uma refeição, cuidar de plantas, organizar objetos ou realizar pequenas atividades domésticas envolve diferentes capacidades físicas e cognitivas. Além de fazerem parte da rotina, essas ações permitem observar como determinadas habilidades estão sendo preservadas ou modificadas ao longo do tempo.

Quando outra pessoa assume todas essas tarefas, o idoso pode deixar de utilizar habilidades que ainda consegue desempenhar. O auxílio é importante quando existe uma necessidade real, mas substituir automaticamente todas as atividades pode reduzir a participação da pessoa em sua própria rotina. Em algumas situações, oferecer apoio apenas na etapa em que existe dificuldade permite que o idoso continue realizando as partes da tarefa que consegue executar com segurança.

A melhor abordagem depende das condições individuais, comenta o doutor Yuri Silva Portela. Quando existe capacidade para realizar uma tarefa com segurança, preservar essa participação pode contribuir para manter independência. Assim, o cuidado não deve se limitar a fazer pelo idoso, mas também considerar aquilo que ele ainda consegue fazer. Essa atenção ajuda a equilibrar proteção e autonomia, evitando tanto a exposição a riscos quanto a retirada desnecessária de responsabilidades cotidianas.

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