Brasil empata com Marrocos na estreia da Copa 2026: o que esse resultado significa para o caminho ao hexa

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 9 Min de leitura
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Seleção saiu atrás do placar, buscou o empate com golaço de Vini Jr., mas frustrou torcedores que esperavam uma estreia mais tranquila no MetLife Stadium


A estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 terminou com aquele sabor agridoce que os torcedores brasileiros conhecem bem. No dia 13 de junho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, a Seleção comandada por Carlo Ancelotti ficou no empate de 1 a 1 com o Marrocos diante de 80.663 torcedores. O centroavante marroquino Ismael Saibari abriu o placar aos 21 minutos do primeiro tempo, e Vinicius Júnior respondeu com um golaço onze minutos depois. O segundo tempo foi mais controlado, mas sem grandes emoções, e o placar não se alterou. Com esse resultado, o Brasil soma apenas um ponto no Grupo C, no mesmo nível de um adversário que chegou ao Mundial como o sétimo no ranking da FIFA, apenas um ponto atrás da Seleção Canarinho.

A pergunta que ficou no ar para milhões de brasileiros que acompanharam o jogo não é o que aconteceu dentro de campo, mas o que esse empate representa para as próximas semanas. O Brasil ainda tem Haiti e Escócia pela frente na fase de grupos. Matematicamente, a classificação continua ao alcance. Mas o desempenho coletivo apresentado no primeiro jogo acendeu alertas sobre o nível de organização tática da equipe e a capacidade de manter o controle quando pressionada. Ancelotti reconheceu as limitações: segundo a CNN Brasil, o técnico admitiu que a equipe poderia ter tido mais controle e que esperava começar melhor.

Por que o Marrocos foi difícil e o que isso revela sobre o Brasil de Ancelotti

O Marrocos não é apenas mais um adversário. A seleção africana chegou à Copa de 2026 como quarta colocada do último Mundial, realizado no Catar em 2022, e manteve o status de uma das equipes mais bem organizadas do futebol contemporâneo. A posse de bola ficou praticamente equilibrada ao longo dos 90 minutos, com 51% para o Brasil e 49% para os adversários, segundo dados do Olympics.com. O número de finalizações foi ainda mais revelador: o Marrocos teve 14 chutes, sendo três no gol, enquanto o Brasil finalizou 12 vezes, com cinco no alvo. Em termos de volume de jogo, as duas equipes estiveram no mesmo patamar.

Para o torcedor brasileiro que esperava ver uma Seleção dominante, impondo seu estilo desde o apito inicial, o jogo foi uma surpresa desconfortável. O Marrocos pressionou alto nos primeiros 30 minutos, explorou os espaços nas costas das laterais brasileiras e foi mais agressivo nas segundas bolas. A escalação de Ancelotti também gerou discussões: Ibañez e Douglas Santos nas laterais, em detrimento de alternativas mais experientes, e Igor Thiago no ataque ao lado de Vini Jr. e Raphinha foi uma aposta que não produziu o rendimento esperado.

O golaço de Vini Jr. foi o momento mais brilhante da partida, o tipo de jogada individual que pode mudar o rumo de uma Copa. Mas uma competição de alto nível não se vence apenas com lampejos de gênio. O Brasil precisará apresentar mais coesão coletiva, especialmente na hora em que o adversário pressiona e o time perde a posse. O segundo tempo mostrou uma equipe mais organizada, mas ainda longe da versão convincente que os torcedores imaginavam encontrar nos Estados Unidos. O caminho ao hexa começa, portanto, sob a pressão das dúvidas.

O Grupo C e o que está em jogo nas próximas rodadas

Com um ponto após a primeira rodada, o Brasil se encontra em uma posição delicada dentro do Grupo C. A boa notícia é que os próximos adversários, Haiti e Escócia, estão em um nível diferente do Marrocos. O Haiti fará apenas sua segunda participação em uma Copa do Mundo, a primeira desde 1974. O retrospecto entre as duas seleções é amplo em favor do Brasil: três vitórias em três jogos, incluindo um histórico 7 a 1 na Copa América de 2016, de acordo com informações publicadas no Soccerway. A Escócia, por sua vez, é uma equipe competitiva no contexto europeu, mas sem o poderio físico e tático do Marrocos.

O problema não é ganhar os próximos jogos. O problema é como o Brasil vai ganhar e que posição vai ocupar no grupo ao final da fase classificatória. No novo formato da Copa de 2026, com 48 seleções divididas em 12 grupos de quatro equipes, os dois primeiros colocados de cada chave avançam diretamente às oitavas de final, assim como os oito melhores terceiros colocados. Isso aumenta ligeiramente a margem de segurança para as seleções cabeças de chave, mas não elimina a necessidade de terminar na primeira colocação para garantir um cruzamento mais favorável nas oitavas. Segundo o portal Gazetadopovo.com.br, se o Brasil terminar em segundo no Grupo C, o cruzamento na fase eliminatória ocorrerá em Monterrey, com adversário potencialmente mais difícil.

A segunda rodada, portanto, vale mais do que apenas três pontos. Vale posicionamento estratégico no torneio e vale também a recuperação da confiança de uma torcida que foi ao primeiro jogo acreditando em algo maior. O Brasil enfrenta o Haiti no dia 19 de junho, às 21h30 (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. E o confronto final da fase de grupos, contra a Escócia, está marcado para o dia 24 de junho, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami.

Ancelotti e a pressão de uma nação que sonha com o hexa

Carlo Ancelotti chegou à Seleção Brasileira como um dos técnicos mais vitoriosos do futebol mundial, com quatro títulos de Champions League no currículo. Mas gerenciar expectativas no Brasil é um desafio diferente de qualquer coisa que ele já enfrentou. O país não vence uma Copa do Mundo desde 2002, quando o campeão foi justamente Ronaldo Fenômeno, presente na cerimônia de sorteio em Washington no início de junho. Vinte e quatro anos de espera transformaram o hexa em uma obsessão nacional que vai muito além do futebol.

O empate com o Marrocos não é o fim de nada. Seleções que tropeçaram na estreia já conquistaram títulos mundiais. A Espanha perdeu para a Suíça em 2010 e levantou a taça. A França empatou com a Dinamarca em 1998 e também ganhou o torneio. Mas a pressão que existe em cima de uma seleção brasileira que não vence desde 2002, combinada com a cobrança de uma imprensa e de uma torcida que monitoram cada passo do time, cria um ambiente em que qualquer resultado abaixo da expectativa vira alvo de análise implacável.

Ancelotti precisará demonstrar, nas próximas semanas, que o empate com o Marrocos foi apenas um ajuste de engrenagens e não um sintoma de algo estrutural. O Brasil tem talento de sobra. O elenco conta com jogadores que atuam nos maiores clubes do mundo, liderados por um Vini Jr. capaz de resolver qualquer jogo com um único lance. A questão é transformar isso em uma equipe coesa, capaz de sofrer pressão e responder com organização. O MetLife Stadium voltará a ser palco da Copa do Mundo em 19 de julho, quando receberá a final. O Brasil quer estar lá.

Fontes: CNN Brasil (cnnbrasil.com.br) | Soccerway Brasil (br.soccerway.com) | Olympics.com (olympics.com/pt) | Gazeta do Povo (gazetadopovo.com.br)

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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