O mundo está mudando, e no campo, as mudanças climáticas não são futuro: são realidade. O empresário e fundador Aldo Vendramin explica que, para o produtor que ainda vê o clima como uma variável imprevisível, o risco cresce. Mas para quem entende a tendência e se adapta, o clima pode virar ali aliado, transformando-se em fonte de rentabilidade e sustentabilidade.
Ao controlar o risco climático cria-se uma vantagem competitiva, e as práticas sustentáveis e os seguros verdes são o caminho para quem quer estar à frente. Neste artigo apresentamos como estudar e controlar as produções conforme o clima é uma forma de se sobressair!
Risco climático no agro: o desafio que virou oportunidade
Secas, chuvas fora de época, geadas, eventos extremos, tudo isso impacta diretamente a produtividade e a rentabilidade da fazenda. Mas há respostas que vão além da reatividade: o conceito de Plano ABC+, por exemplo, envolve práticas de baixa emissão de carbono e adaptação às mudanças do clima.

É a principal política nacional de incentivo à agricultura sustentável, criada para reduzir as emissões de carbono e preparar o campo brasileiro para os desafios climáticos das próximas décadas. A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Agricultura, incentiva práticas como a recuperação de pastagens degradadas, o uso de biofertilizantes, o sistema de plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta. Mais do que uma meta ambiental, o plano representa uma nova forma de produzir com eficiência e responsabilidade, fortalecendo o papel do Brasil como referência mundial em agricultura de baixo carbono e valorizando o produtor rural que adota tecnologias sustentáveis no dia a dia.
Estudos mostram que práticas como agricultura de precisão, cobertura do solo e integração lavoura-pecuária-floresta ajudam a sequestrar carbono e a reduzir emissões. Como alude o senhor Aldo Vendramin, tratar o clima como variável controlável significa investir em resiliência e em valor agregado, pois quem planta com visão climática planta com vantagem.
Práticas sustentáveis que aumentam a rentabilidade
Investir em práticas sustentáveis não significa abrir mão de lucro, ao contrário, Aldo Vendramin aponta ações como:
- Cobertura do solo e plantio direto: reduzem a erosão, aumentam a retenção de água e melhoram a produtividade das safras seguintes.
- Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF): permite usar a mesma área para múltiplos fins, aumentar o retorno por hectare e recuperar pastagens degradadas.
- Uso de biofertilizantes e compostagem de resíduos: diminui custos de insumos e fortalece a biologia do solo, gerando produtividade a médio e longo prazo.
A combinação dessas práticas cria solo produtivo, menos suscetível a fenômenos climáticos extremos e mais atrativo para mercados que valorizam a sustentabilidade. O empresário ressalta que a fazenda de amanhã vai almejar menos só a colheita, vai buscar equilíbrio, valor ambiental e retorno financeiro.
Seguros verdes, créditos de carbono e novas receitas
Além das práticas, o produtor pode gerar novas fontes de receita ao operar de maneira sustentável, como por exemplo adotando:
- Seguros agrícolas climáticos que protegem contra perdas causadas por eventos extremos. Com apoio de tecnologia e dados, esses seguros ficam mais acessíveis e confiáveis;
- Créditos de carbono: ao adotar sistemas que sequestram carbono (como ILPF, sistemas agroflorestais), o produtor pode participar de mercados voluntários ou regulados de crédito de carbono. Estudos apontam potencial significativo para sistemas agrícolas brasileiros;
- Programas de sustentabilidade como Climate‑Smart Agriculture (CSA) ajudam a conectar a produção brasileira com exigências globais e financiamento para adaptação climática.
Aldo Vendramin destaca que o clima se tornou um ativo, e quem o incorpora ao negócio amplia o acesso a mercados e fontes de receita além da saca, pois ao adotar práticas sustentáveis e integrá-las à rotina produtiva, o crescimento passa a ser consequência natural.
Implementação: do planejamento à operação
A adoção dessas práticas exige planejamento estratégico, como:
- Avaliação de riscos climáticos: mapear vulnerabilidades como solo, água, topografia e histórico.
- Escolha de práticas adaptativas: plantio direto, rotação, ILPF, uso de sensores e monitoramento climático.
- Integração com tecnologia e dados: sensores, IA e plataformas permitem antever eventos e planejar ações corretivas.
- Acesso a seguros e mercados de carbono: registrar práticas, medir resultados e buscar certificações para acessar os novos modelos de receita.
- Capacitação e cultura de sustentabilidade: envolver equipe, parceiros e cooperativa nessa visão de longo prazo.
O senhor Aldo Vendramin enfatiza que a transformação não é só técnica, é cultura. Quem muda o comportamento muda o resultado da sua produção e do seu futuro a médio e longo prazo.
Os benefícios concretos das ações
- Maior produtividade por hectare e menos perdas em condições adversas.
- Redução de custos com insumos e menor impacto climático.
- Acesso a mercados premium que valorizam a sustentabilidade.
- Proteção financeira via seguros climáticos.
- Possibilidade de novas receitas com créditos de carbono.
- Melhoria da reputação da marca e fortalecimento de valor agregado.
Clima e rentabilidade não são antagônicos, são parceiros do negócio que olha à frente. A adoção de práticas sustentáveis, aliada a seguros verdes e novos modelos de mercado, torna o produtor mais resiliente e competitivo. Como considera o senhor Aldo Vendramin, o produtor moderno não apenas planta para a safra, ele planta para o futuro. E é nessa tomada de consciência que o agronegócio brasileiro encontrará sua verdadeira força: com rentabilidade, com clima sob controle, e com legado para as próximas gerações.
Autor: Samantha Perlanovx
