Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, situa o design biofílico como um dos caminhos mais consistentes para equilibrar funcionalidade e bem-estar dentro de casa, em um momento em que o comportamento humano se afasta cada vez mais do contato direto com ambientes naturais.
O que caracteriza um projeto biofílico?
O design biofílico parte da premissa de que o ser humano possui uma conexão inata com elementos naturais, e que a ausência dessa conexão em ambientes internos pode gerar impactos negativos sobre o bem-estar físico e emocional. A incorporação de plantas, luz natural abundante, materiais orgânicos e até sons e aromas ligados à natureza compõe o repertório dessa abordagem, que vai muito além de colocar vasos decorativos pela casa.
Daugliesi Giacomasi Souza ilustra esse conceito ao tratar a vegetação não como elemento decorativo isolado, mas como parte da arquitetura interna do espaço, com posicionamento pensado conforme a incidência de luz e a circulação de ar de cada ambiente. Esse cuidado técnico é o que diferencia um projeto biofílico bem resolvido de uma simples tentativa de “trazer verde para dentro de casa”.
Materiais naturais e sua relação com o conforto térmico
Madeira, pedra, fibras naturais e argila figuram entre os materiais mais associados ao design biofílico, não apenas pela estética, mas pelo desempenho térmico e acústico que oferecem em comparação a materiais sintéticos. Esses elementos ajudam a regular a temperatura interna e reduzem a reverberação sonora, dois fatores que impactam diretamente a sensação de conforto em um ambiente.

A fundadora da DGdecor contextualiza essa escolha de materiais a partir do clima e da orientação solar de cada projeto, evitando aplicações genéricas que não consideram as particularidades de cada espaço. Assim, a presença de elementos naturais deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a responder diretamente às condições reais de uso do ambiente.
Luz natural como protagonista do projeto
Poucos elementos têm tanto peso no design biofílico quanto o aproveitamento da luz natural. Projetos que priorizam grandes aberturas, materiais translúcidos e posicionamento estratégico de ambientes em relação ao sol conseguem reduzir significativamente a dependência de iluminação artificial, com ganhos tanto estéticos quanto energéticos.
Nesse ponto, Daugliesi Giacomasi Souza detalha como o estudo da trajetória solar ao longo do dia orienta decisões que vão da disposição dos cômodos até a escolha de cortinas e revestimentos, de forma a maximizar o aproveitamento natural sem comprometer a privacidade dos moradores. O resultado é um ambiente que muda de atmosfera ao longo do dia, acompanhando o próprio ritmo da luz.
Biofilia como resposta ao estilo de vida urbano
O crescimento do interesse por design biofílico está diretamente associado à intensificação da vida urbana e à redução do contato cotidiano com ambientes naturais. Apartamentos cada vez menores e rotinas cada vez mais confinadas a espaços fechados tornam a busca por conexão com a natureza uma necessidade real, não apenas uma tendência estética passageira.
Daugliesi Giacomasi Souza ressalta que essa demanda tende a crescer à medida que os centros urbanos se adensam, reforçando a relevância de projetos que tragam elementos naturais para dentro de casa de forma estruturada e duradoura. Para a fundadora da DGdecor, esse movimento representa menos uma moda passageira e mais uma resposta necessária a uma mudança real de estilo de vida.
