Paulo Roberto Gomes Fernandes, empresário e fundador da Liderroll, reconhece nas travessias de corpos d’água um dos pontos de maior concentração de risco técnico e regulatório em projetos dutoviários. A instalação de gasodutos e oleodutos sob rios, lagos e reservatórios exige a combinação de métodos construtivos especializados, análise geotécnica detalhada e processos de licenciamento ambiental que envolvem órgãos com competências sobrepostas. A escolha inadequada do método de travessia ou a subestimação das condições hidráulicas do corpo d’água pode comprometer a integridade do duto e gerar consequências ambientais de difícil reversão.
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Métodos construtivos e critérios de seleção para cada tipo de travessia
Os métodos mais utilizados para travessias de corpos d’água incluem o lançamento por abertura de vala no leito, o direcionamento horizontal controlado e o tunelamento mecanizado. Cada um desses métodos apresenta vantagens e limitações que dependem das características do corpo d’água, da profundidade do leito, da velocidade da corrente, das condições geotécnicas do substrato e das exigências ambientais aplicáveis. Contudo, o direcionamento horizontal controlado ganhou preferência crescente em travessias de rios com leito instável ou em regiões com alta sensibilidade ambiental, por eliminar a abertura de vala no leito e reduzir a perturbação dos habitats aquáticos.

Paulo Roberto Gomes Fernandes elucida que a decisão entre os métodos disponíveis deve ser fundamentada em estudos geotécnicos e hidrológicos específicos para cada travessia, e não em preferências padronizadas aplicadas indiscriminadamente ao longo de um traçado. Cada corpo d’água apresenta particularidades que condicionam tanto a viabilidade técnica quanto o custo de cada alternativa, tornando a análise individual indispensável para uma decisão tecnicamente defensável.
Profundidade de cobertura e proteção contra erosão do leito
A profundidade de cobertura do duto abaixo do leito do rio é um dos parâmetros críticos que determinam a segurança da travessia ao longo da vida útil da instalação. Paulo Roberto Gomes Fernandes explica que rios com alta carga sedimentar e variações sazonais de vazão podem alterar significativamente o perfil do leito ao longo dos anos, expondo trechos do duto que foram instalados com cobertura aparentemente adequada. Nesse sentido, a análise do comportamento histórico do leito, com base em levantamentos batimétricos realizados em diferentes épocas do ano, é uma etapa indispensável no projeto de travessias em rios com dinâmica fluvial ativa.
Paulo Roberto Gomes Fernandes explicita que medidas de proteção complementares, como o revestimento do leito com colchões de pedra e a instalação de recheios de concreto nas imediações da travessia, são frequentemente necessárias para garantir que a cobertura mínima exigida seja mantida mesmo após eventos hidrológicos extremos. O dimensionamento dessas proteções deve considerar os cenários de cheia com períodos de retorno compatíveis com a vida útil projetada do ativo.
Inspeção e monitoramento de travessias em operação
A inspeção periódica de travessias de corpos d’água enfrenta desafios que não existem em trechos terrestres convencionais. O acesso ao duto instalado abaixo do leito exige técnicas especializadas, incluindo mergulho assistido ou inspeção por veículos submarinos não tripulados em travessias de maior profundidade. A partir disso, levantamentos batimétricos regulares permitem monitorar a evolução do perfil do leito e identificar reduções de cobertura antes que atinjam os limites mínimos de segurança.
Nessa ótica, Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que a combinação entre monitoramento batimétrico, inspeção interna por ferramentas instrumentadas e análise de proteção catódica compõe o programa mínimo de gestão de integridade para travessias críticas. A frequência de cada componente desse programa deve ser calibrada com base na dinâmica do corpo d’água e no nível de consequências associado a uma eventual falha naquele ponto específico da linha.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
