O executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, Valdoir Slapak, pontua que, quando uma empresa precisa de caixa, a primeira reação costuma ser buscar recursos fora: crédito bancário, antecipação de recebíveis ou aporte de sócios. Antes disso, porém, há uma fonte que quase sempre está disponível dentro da própria operação: o capital de giro.
É nele que se concentra grande parte do dinheiro imobilizado em contas a receber, estoques e prazos de pagamento, e administrá-lo com técnica permite liberar caixa sem aumentar o endividamento.
O capital de giro como caixa imobilizado na operação
Para Valdoir Slapak, o capital de giro é, em essência, o caixa que a operação consome para funcionar antes de devolver esse dinheiro em forma de recebimento. Quando a empresa vende a prazo, financia o cliente, e esse valor permanece retido até o pagamento. Quando mantém estoques, imobiliza recursos que só retornam após a venda.
Em contrapartida, o prazo concedido por fornecedores age na direção oposta, adiando saídas e aliviando a necessidade de caixa. A posição líquida entre o que está preso em recebíveis e estoques e o que é financiado por fornecedores define quanto caixa a operação exige apenas para sustentar o nível atual de atividade.
Recebimentos, estoques e pagamentos: as três alavancas para liberar caixa
A redução do ciclo atua sobre três alavancas. Encurtar o prazo de recebimento, por meio de uma política de crédito mais criteriosa, cobrança ativa e condições que incentivem o pagamento antecipado, acelera a entrada de caixa. Ajustar o nível de estoques ao giro real, evitando o acúmulo de itens de baixa rotação, libera recursos que estavam parados em mercadoria.

Valdoir Slapak ressalta que negociar prazos de pagamento compatíveis com o ciclo, sem comprometer o relacionamento com fornecedores, mantém o caixa por mais tempo na empresa. O cuidado técnico está em mover essas três alavancas de forma coordenada, porque otimizar uma isoladamente pode apenas transferir a pressão para outra, alongar demais o prazo de fornecedores, por exemplo, libera caixa hoje e pode encarecer a compra adiante.
O que o excesso de capital de giro esconde no resultado?
No ponto de vista de Valdoir Slapak, um capital de giro inflado nem sempre é percebido como problema, porque a empresa continua operando e pagando suas contas. O custo aparece de forma indireta, no caixa que poderia estar disponível e está imobilizado, e no financiamento que se contrata para suprir uma falta que a própria operação criou.
Estoques excessivos, prazos de recebimento longos e ausência de negociação com fornecedores drenam liquidez de modo silencioso, sem registro evidente no resultado. Reconhecer esse caixa preso é o passo que antecede liberá-lo, e é também o que distingue uma operação que apenas funciona de uma operação que funciona com eficiência de caixa.
Da gestão de capital de giro à geração interna de caixa
Administrar o capital de giro com disciplina transforma a operação na primeira fonte de recursos a ser examinada antes de qualquer captação externa. O caixa liberado internamente não tem custo financeiro e não amplia o endividamento, o que o torna a alternativa mais eficiente em praticamente qualquer cenário.
Valdoir Slapak conclui que, mais do que uma medida pontual, a gestão de capital de giro funciona como uma prática contínua, capaz de sustentar a liquidez à medida que a empresa cresce ou enfrenta períodos de pressão. É nessa perspectiva, a de tratar a própria operação como fonte de caixa antes de buscar recursos fora da gestão financeira, que posiciona a gestão de capital de giro como instrumento permanente de eficiência, e não como recurso de emergência.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

